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Carta aos Missionários da Consolata Sobre processo dos Mártires do Guiúa
Sexta, 10 Março 2017 09:49

ConsolataAssunto: Abertura do Processo Canonização dos Servos de Deus Luísa Mafu e Companheiros, Mártires de Guiúa Caríssimos Confrades

1 - No próximo dia 25 de Março, por ocasião da celebração do 25º aniversário do massacre do Guiúa (1992-2017) terá lugar a abertura oficial do Processo da Causa de Canonização de Luisa Mafu e Companheiros, Mártires de Guiúa.

Neste processo estão implicadas todas as instâncias da Diocese de Inhambane desde logo, o seu Bispo, passando pelos sacerdotes diocesanos, congregações religiosas, as paróquias e as comunidades cristãs. Todos estão implicados neste processo, ele é de todos e para todos.

O envolvimento dos Missionários da Consolata

2 - O primeiro acto formal de preparação para o Processo da Causa dos Mártires do Guiúa foi a nomeação do Postulador da Causa. O Bispo de Inhambane, D. Adriano Langa, depois de ter pedido a autorização aos nossos superiores maiores, no dia 23 de Março de 2014, nomeou-me para o cargo de Postulador da Causa. O Postulador tem a responsabilidade de coordenar e animar o processo que leva ao reconhecimento das virtudes heroicas ou martírio dos candidatos a santos.

Segundo carta escrita pelo Bispo de Inhambane, diriida ao nosso Superior Geral, a motivação que o levou a nomear um Misionário da Consolata postulador da causa de beatificação dos Mártires do Guiúa reside no seguinte facto: os Missionários da Consolata, desde o início estão ligados aos Mártires do Guiúa. De facto, foram os Missionários da Consolata os co-fundadores do Centro Catequético do Guiúa (1972), os Missionários da Consolata que foram testemunhas do massacre (Padres André Brevi, Luís Ferraz e John Peter Njoroge). Nestes anos, foram sobretudo os Missionários da Consolata que deram a conhecer à Igreja este evento (foi notável o trabalho realizado pelo P. Francisco Lerma enquanto director do Centro do Guiúa).

De Janeiro a Abril de 2015, frequentei em Roma um curso de formação para postuladores, organizado pela Congregação da Causa dos Santos, com o objectivo de conhecer a legislação e o processo de uma causa de canonização. Em Junho de 2015, D. Adriano Langa, nomeou vice-postulador da causa o P. Sandro Faedi. Circular nº 1/17 Maputo, 6 de Março de 2017

O que foi feito até ao momento?

3 - O Bispo de Inhambane, depois de nomear o Postulador (2014), e de este ter preparado a documentação necessária (biografia dos Servos de Deus, elenco das testemunhas, e a petição para a introdução da Causa); pediu o parecer dos Bispos de Moçambique sobre a oportunidade de iniciar a causa de canonização dos Catequistas Mártires de Guiúa. Os Bispos da CEM deram um parecer favorável (Novembro 2015).

Em seguida, D. Adriano Langa pediu à Santa Sé o Nihil Obstat (uma declaração em que se diz que não existe nada contrário ao início da Causa) para a abertura efetiva do processo, após haver comprovado que a fama de martírio é sólida e baseada em fundamento real, está difundida e não foi provocada artificialmente. Feito isso, a Diocese de Inhambane recebeu o Nihil Obstat da Congregação da Causa dos Santos para iniciar e instruir o processo (Outubro 2016).

Entretanto, a Postulação contactou e identificou todas as pessoas que estão dispostas a dar o seu testemunho sobre os catequistas mártires e foi recolhida toda a documentação escrita sobre o martírio e os mártires (Janeiro-Fevereiro 2017) Quais são os passos seguintes no processo de canonização para reconhecer o Martírio de Luisa Mafu e Companheiros ?

4 - O próximo passo a dar é a realização do processo de canonização. Este processo tem duas fases distintas: a fase diocesana (o trabalho será feito em Moçambique) e a fase romana (o trabalho será feito em Roma-Vaticano).

a) Fase Diocesana

5 - Na fase diocesana do processo de canonização, que iniciaremos no próximo dia 25 de Março, o mais importante é o Inquérito: Interrogam-se as pessoas que conheceram directamente os catequistas (familiares, amigos, vizinhos) durante a sua vida e aquelas pessoas que foram testemunhas da sua morte de modo que se recolham todas as provas necessárias para o Papa poder declarar a sua santidade e martírio. Para esse efeito, uma comissão terá a tarefa de redigir as perguntas, presidir ao interrogatório de cada uma das testemunhas que forem convocadas e transcrever tudo o que for dito. Esta comissão de inquérito já foi nomeada e é constituida pelos seguintes padres que trabalham na Diocese de Inhambane: Guilherme Costa, Jeremias Moisés, Amaral Bernardo e Anastancio Gemo. A comissão tomará posse no dia 25 de Março, durante a sessão de abertura do processo da causa.

Para se ser mártir no sentido cristão não é suficiente ter derramado o sangue, é necessário que tenha sido morto por ódio à fé e que tenha aceite a morte com o espírito de fé. Por isso, a comissão de inquérito terá que interrogar as testemunhas do massacre dos catequistas para provar que verdadeiramente foram mortos por ódio à fé e que aceitaram morrer por Cristo.

Terminada a recolha de todos os testemunhos, a Postulador deverá preparar um dossier bem documentado sobre a vida e o martírio dos catequistas o qual será enviado pelo bispo diocesano à Congregação da Causa dos Santos, em Roma, onde se estabelece a validade do processo, ou seja, a constatação de que nada falta para o seu prosseguimento.

b) Fase Romana

6 – Após o exposto, tem início a segunda fase do processo, a chamada fase romana do processo de canonização. Toda a documentação e provas (escritas e orais) que recolheremos passará por um exame sério de consultores históricos e teológicos, nomeados pela Congregação da Causa dos Santos, que vão dar um parecer e um voto sobre o mérito da causa. Este parecer definitivo será em seguida submetido ao juízo de uma comissão de Cardeais e Bispos. Se esta comissão der voto positivo, o Santo Padre, em seguida, promulga o decreto de martírio e declarará os catequistas mártires do Guiúa Bem-Aventurados, dignos de culto liturgico e público.

Quanto tempo levará o processo de canonização dos Martires de Guiúa?

7 - Cada caso é um caso. Cada processo tem suas peculiaridades e, por isso, não podemos afirmar com precisão quanto tempo vai demorar. A Santa Sé não facilita no reconhecimento da santidade, mas olha com muito carinho para a Igreja em África. Para se chegar à canonização dos catequistas mártires do Guiúa há um longo e trabalhoso caminho. É esse caminho que estamos agora a iniciar percorrer. Pode demorar poucos anos se trabalharmos bem e colaborarmos com a nossa oração e a nossa ajuda.

O que é pedido a nós e às nossas comunidades?

8 - A parte canónico-jurídica desta Causa tem os seus caminhos e teremos de os seguir sob a orientação da Igreja. Há todavia um caminho que é de todos e sem o qual o processo ficaria debilitado na base: a Fé no martírio, entendido como testemunho dado pelo derramamento do sangue numa oferta da vida ao Senhor. È necessário continuar a animar os cristãos para um espírito de oração fervorosa a Deus por meio de Jesus Cristo, pedindo que nos mostre a Sua vontade para a realização deste objectivo que visa glorificar a Deus nos Seus Santos.

P. Diamantino Antunes, IMC

Superior Regional

Actualizado em Sexta, 10 Março 2017 10:00