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Semana Santa em Massangulo. Um Testemunho
Quinta, 25 Abril 2019 00:06
IMG 20190423 WA0002Sábado, dia 13, realizou-se a peregrinação dos jovens ao monte cruz. No dia anterior, um grupo de jovens acompanhado pelo animador da Paróquia Fernando Manuel, subiram o monte levando consigo catanas e enxadas para abrir o caminho. A sua missão de ‘matadores’ foi deveras útil já que, o estado do sendeiro que conduz ao cimo do monte, estava completamente coberto de altos fetos e uma variedade de ervas e arbustos crescidos ao longo da intensa estação chuvosa. O dia estava coberto de uma densa camada acinzentada com um intenso orvalho várias vezes perfurado pela chuva e chuvisco. Como tínhamos no programa a substituição da velha cruz já gasta pelo tempo (mandada colocar, segundo ouvimos, pelo padre Mário Teodori), eu saí com o primeiro grupo por volta das 06h30’, tendo em consideração as dificuldades do empreendimento, enquanto o pe Diamantino acompanhou o resto dos jovens que saíram um pouco mais tarde. No pátio da Missão levantámos a cruz e formando um círculo à sua frente rezámos e implorámos a bênção divina para que tudo pudesse correr bem. Organizada a comitiva daqueles que carregavam a cruz, transportavam sacos plásticos de cimento e galões para mais tarde encher de água, partimos. Respirava-se um ar confiante e gracioso. Numa espécie de fila indiana um pouco desorganizada avançamos até aos tanques da água onde parámos para carregar areia. O animador seguia à frente e eu logo após a cruz para melhor poder valorizar o esforço daqueles jovens intrépidos que carregavam a cruz sem jamais se queixarem do seu peso. Na verdade´, a cruz, feita de tubos de ferro cromado com a espessura de três polegadas, era pesada. Num serpenteado ascendente, fomos avançando corajosamente, parando de vez em quando para recuperar a respiração e permitir o rendimento dos que carregavam a cruz. Devido ao entrelaçado de liambas e à estreiteza de certas partes do sendeiro pelos penedos que o ladeavam, o esforço dos jovens chegava a ser notável. O último obstáculo, o mais desafiante, foi mesmo já na parte final na subida para a grande superfície de pedra onde deveria ser colocada a cruz. Nestes momentos é interessante observar o esforço solidário de todos repartido pelas vontades individuais de superar os obstáculos e prosseguir até à meta final. A determinação humana pode chegar a ser como uma força vulcânica que, brotando do interior da pessoa, pode fazer tremer o mundo, pode transformá-lo em calor e luz. O grupo que partiu depois acabou por se extraviar no caminho e deambular por matas e fetos até ao encontro da densa floresta tropical localizada na parte esquerda da subida. IMG 20190423 WA0003IMG 20190423 WA0009Não conseguindo encontrar o caminho, pediram ajuda por telefone para que alguém fosse ao seu encontro. Subitamente, um grupo de vários jovens, acompanhados pelo animador da paróquia partiram ao seu encontro. Depois de cerca de uma hora, escutavam-se vozes altercadas e cânticos espontâneos daqueles que, tendo ficado para trás, sentiam a alegria de poderem chegar, também eles, ao cimo do monte, ao lugar da cruz. Depois de breves momentos de intercâmbio entusiasta entre os dois grupos, e já todos acomodados, iniciámos a eucaristia presidida pelo pe Diamantino. Na sua homilia referiu o simbolismo da montanha na linguagem bíblica como proximidade com Deus e enalteceu o entusiasmo e coragem dos jovens que, apesar do nevoeiro e da chuva e mesmo tendo-se transviado, não desistiram nem desanimaram mas se mantiveram firmes e fiéis até ao cimo. Em tais momentos e circunstâncias, as dificuldade e sacrifícios da caminhada se dissipam deixando espaço a uma alegria gozosa experimentada apenas por quantos ousaram e acreditaram. Depois da eucaristia, um grupo considerável de jovens, liderados pelo animador Fernando, prepararam o betão que serviria para fixar a base da nova cruz e embuti-la, preservando-a assim da corrosão da ferrugem. Quando o trabalho estava quase concluído, eis que vimos chegar, carregados com sacos de areia à cabeça o Sr Estevão mais o grupo Bwana vindos para nos socorrer ao terem sido solicitados para nos apoiarem. Olhando para IMG 20190423 WA0001todo este panorama, comentava comigo mesmo sobre a coragem e generosidade desta gente que é o meu povo e não podia deixar de me sentir edificado e enriquecido pelo seu exemplo, pelo seu testemunho. Durante o cerimonial da reposição da cruz, o resto dos jovens se entretinham amigavelmente em conversas risonhas dando àquele lugar e àquele momento todo uma sensação de gozosa comunhão entre o humano e o divino. Colocada a cruz e afinados os nivelamentos achámos por bem deixar a pintura para outro dia e iniciámos a descida sabendo que era necessário arte e prudência para evitar as escorregadelas, pelo menos as mais perigosas. Na parte final da descida, acompanhado pelo pe Diamantino e mais alguns curiosos, passámos pela zona da captação da água onde encontrámos o sr Bwana mais a sua equipa a trabalhar com convicção. Depois de breves momentos neste bonito espaço animado pela natureza e pelo marulhar da água que desce do monte avançamos até casa onde chegámos por volta das 14h45’. 

Domingo, dia 14, iniciámos a procissão de ramos na zona do mercado precedida por algumas breves palavras proferidas pelo pe Diamantino debaixo da grande árvore. Um bom número de fiéis compareceu no local e vários outros se foram juntando à procissão ao longo do trajecto. Para animar ainda mais, o pe Diamantino convidou todos os participantes a agitarem os seus ramos voltados para a direcção dos quatro pontos cardeais iniciando pelo oriente, o lado do sol nascente. O mesmo ritual foi repetido a meio do percurso e à chegada ao santuário. O evangelho, que deveria ser pronunciado no inicio da procissão, foi pronunciado desde o cimo da escadaria em frente ao santuária por acharmos que se escutava melhor. A eucaristia foi animada e um bom grupo de pessoas, muitas de elas vistas pela primeira vez, enchiam a igreja e se deixavam envolver pela liturgia quente e animada daquela celebração festiva. O pe Diamantino, que presidiu à eucaristia, sublinhou de forma breve e pontual os elementos mais importantes associados à liturgia do Domingo de Ramos e à espiritualidade da quaresma de uma forma geral. Da parte da tarde fomos visitar os velhotes Ângelo e Elisa e partilhar com eles um pouco de alimentos para atenuar a sua extrema pobreza. O velho, quase paralisado, rapidamente retomou os ânimos ao ser levantado pelas costas pelos braços fortes da sua esposa que é também o seu Anjo da Guarda, o seu complemento de vida.

Uma nova semana se abriu cheia de possibilidades a não perder e, desta forma, toda a gente à volta da Missão, cada qual no seu âmbito, se lançaram ao trabalho, se lançaram a valer. Entre os acontecimentos marcantes do início desta semana, destacam-se a encontro do pe Diamantino com os estudantes do ESAM onde lhes explicou a história da Missão de Massangulo começando pelas origens. Para melhor ilustrar esta sessão, servimo-nos da projecção de algumas fotos da época que servem como documentos históricos de uma riqueza inquestionável preservada pelo tempo.

Terça-feira, dia 16, logo após o pequeno-almoço partimos, eu mais o pe Diamantino, para Lichinga com o intuito de participar na Missa Crismal com o Bispo da Diocese D. Atanásio e os seus padres. Esta celebração serve também como pretexto para o encontro dos missionários da Consolata da Província do Niassa e que, desde há vários anos, se foi tornando quase uma tradição. O pe Edilberto esperava-nos o dia anterior para o jantar que deveria ser também um momento de confraternização e um gesto fraterno de comunhão com o pe Diamantino pela sua recente nomeação para bispo de Tete. Ao não ter sido possível pela falta de informação ou distracção da nossa parte, acabámos por perder o sabor do churrasco e contentar-nos com o que sobrou para o dia seguinte. Terça-feira à tarde, reunimo-nos por volta das 14h30’ para partilhar a vida de cada uma das missões e concordar datas e eventos para o futuro próximo nomeadamente a participação na ordenação episcopal de Dom Diamantino que terá lugar no dia 12 de Maio em Tete e programar as datas das viagens para a Assembleia Regional com início previsto para o dia 30 do mesmo mês. A Missa Crismal com o Bispo iniciou por volta das 18h00’ na catedral de Lichinga com a participação de quase todos os padres da Diocese. Foi animado pelo grupo coral ‘Sta Cecília’ e a ela acorreu um certo número de fiéis sem contudo ocuparem todos os espaços disponíveis. A Celebração foi mais bem simples e um pouco longa. Já na parte final, Dom Atanásio referiu-se ao pe Diamantino com palavras cordiais e simpáticas e convidou toda a Diocese a unir-se a ele e a participar na sua ordenação. Na mesma eucaristia foi dada a palavra ao pe Sapato que fez um breve relato sobre a sua experiência na cidade da Beira a quando da passagem do Ciclone ‘Idai’ com um fundo cómico e bem-humorado. Depois da celebração seguiu-se um momento de confraternização nos espaços do Paço-episcopal para todos quantos se animaram a comparecer. Estes momentos são importantes pela sua densidade fraterna e pela simplicidade espontânea que a todos congrega como irmãos e amigos.

Regressando a casa, tínhamos agora a peito a preparação para as festividades pascais. Um programa detalhado com as orientações litúrgicas e logísticas para as comunidades vindas de fora tinha já sido traçado e distribuído. Os candidatos ao baptismo foram convocados alguns dias antes, mesmo que a maior parte não chegou a comparecer por diversos motivos justificados. Em seu lugar, vieram diversas crianças e adolescentes acompanhados por alguns adultos sem muita noção das verdadeiras motivações pelas quais foram enviados. Chegaram domingo dia 14 à tardinha e só me apercebi da sua presença quando o guarda Luciano me veio comunicar à hora do jantar. Fui ter com eles e encontrei-os sentados no chão como pintainhos que se aconchegam uns contra os outros na ausência da mãe. Tranquilizámo-los e, depois de instalados, preparámos algo para se alimentarem e restabelecerem as forças da longa caminhada de várias dezenas de km a pé ou de bicicleta.

Quinta-feira, por volta das 18h15’, iniciámos a celebração da Eucaristia com o ritual do lava-pés. A equipa de electricistas que trabalhara duro durante todo o dia, permitiu uma luminosidade na parte exterior e no coro da igreja com um particular vislumbre que não deixou ninguém indiferente. Notava-se uma satisfação contagiante em todos quantos tinham vindo de longe mas também na comunidade local que se regozijava do seu papel de anfitriões. Um bom número acorreu à celebração e, depois de concluída, procedemos à trasladação da Eucaristia para o lugar do ‘Monumento’ previamente preparado na capela lateral esquerda do Santuário. Houve em seguida um momento de oração e adoração conjunto que se estendeu depois em pequenos grupos até por volta das 22h00’.

Sexta-feira Santa, encontrámo-nos de novo no mesmo local para a oração do ‘Oficio litúrgico’ do dia juntamente com a comunidade das Irmãs da Paz e da Misericórdia e todos quantos tinham vindo de longe. Algumas pessoas da comunidade local acudiram também ainda que em menor escala. Da parte da tarde, por volta das 15h00’, seguiu-se a celebração da Via-Sacra animada pelos jovens. Iniciámos na zona do mercado e fomos subindo até às imediações do Santuário onde decorreram as últimas estações. À medida que íamos avançando o número de participantes ia engrossando e, o pequeno grupo inicial, foi dando lugar a uma multidão considerável que acompanhava os diversos passos da via-sacra com respeito e devoção. O momento mais forte foi certamente aquele da crucifixão e morte representado pelos jovens com particular realismo que tocou muitos dos participante até às lágrimas. Seguiu-se a celebração da liturgia da paixão na igreja nos seus três momentos:, liturgia da Palavra, adoração da cruz e comunhão. A celebração concluiu por volta das 17h30’. À noite, depois do jantar, foi projectado um filme na igreja em língua Chichewa para deleite de todos quantos, vindos de longe, escutavam falar as escrituras na sua própria língua. O dia que havia sido de jejum e abstinência, dava agora lugar a uma noite de repouso e recolhimento num ambiente fraterno e solidário com todos quantos, espalhados pelo mundo, se uniam aos sentimentos de Cristo crucificado e morto.

Sábado, dia 20, logo de manhãzinha, nos encontrámos de novo na igreja para a oração do ofício litúrgico da recitação dos salmos completada, como no dia anterior, com um suplemento em língua Chichewa animada pelas comunidades da ‘diáspora’. Ao longo da manhã, um número considerável de jovens do ESAM animados pelo professor Henriques, pedagógico, se espalhavam pelas imediações da missão cortando arbustos e raspando ervas com a finalidade de tornar o ambiente mais limpo e agradável. Uma boa parte desses jovens eram muçulmanos que se entregavam com determinação ao trabalho como o haviam feito já no dia anterior na limpeza da igreja. Nos espaços internos da Missão, dava-se continuidade ao programa formativo traçado para estes dias cabendo-me a mim e ao animador Fernando ficar com os homens e à Irmã Noémia mais a Mamã Victória com as mulheres. Da nossa parte, abordámos questões relacionadas com a ‘liderança e a sustentabilidade económica das comunidades’ enquanto do lado feminino foram abordados temas sobre ‘economia doméstica’ e o papel da mulher na sociedade e no lar’. A participação foi animada e o tempo chegou mesmo a ser curto. Por volta das 13h00’ seguiu-se o almoço, sendo deixada a parte da tarde para pequenas tarefas de limpeza e ensaios litúrgicos. A Vigília Pascal iniciou por volta das 22h00’ no jardim em frente do Santuário com a ‘liturgia do fogo’ e a bênção do Círio Pascal. Em procissão para a igreja, o pe Diamantino abria o caminho com o círio nas mãos, entoando por três vezes o refrão ‘a luz de Cristo’ ao qual a assembleia respondia ‘Graças a Deus’. A celebração foi uma autêntica manifestação de júbilo e de alegria. A primeira parte, dedicada à liturgia da palavra, esmoreceu um pouco os mais pequenos que pouco ou nada compreendiam porém, com o cântico de glória acompanhado pelo tocar dos sinos e das campainhas, uma verdadeira explosão de festa eclodiu por toda a igreja incitando toda a assembleia à festa. Particularmente expressivo foi o momento do baptismo dos jovens e crianças que não conseguiam esconder a sua satisfação e protagonismo. Os 10 baptizados foram um estímulo e um reforço anímico e de fé para toda a assembleia e de modo particular para aqueles que desejam também eles fazer parte desta grande família que é a Igreja. Eram já as duas horas da madrugada quando a celebração foi concluída num verdadeiro ambiente de alegria contagiante pela sua beleza e pela certeza da ressurreição daquele que, por Amor, se entregou por todos sem limites. Um pouco de repouso se impunha sabendo que, daí a algumas horas, deveríamos voltar à igreja para completar a grande festa da Páscoa. Por volta das 09h30’, dávamos início à celebração da eucaristia de Páscoa com a igreja a encher-se de gente. Um imenso número de crianças exuberantes e inquietas ocupava o lado esquerdo do presbitério num fervilhar de comentários sobre a dimensão dos acontecimentos a que elas aderiam com espontaneidade e alegria. Depois da missa, que concluiu por volta do meio-dia, dirigimo-nos em procissão até à capelinha localizada no ‘Jardim da Consolata’ e, que, por ser inaugurada neste dia, decidimos dar-lhe o nome de ‘Capelinha da Ressurreição’. A decisão foi tomada num encontro extraordinário da ‘equipa missionária’ convocada dois dias antes para o efeito. Na homilia e, no final da eucaristia, procurei explicar a toda a assembleia o simbolismos deste pequena capela que quer render homenagem a todos quantos trabalharam para o desenvolvimento da Missão e, ao mesmo tempo, motivar toda a paróquia a aderir a este momento favorável em que as garras da morte são vencidas pela força da vida, pela presença do Espírito de Jesus ressuscitado que nada nem ninguém pode negar ou vencer. O pe Diamantino, que presidira já às celebrações da Sexta-feira Santa e da Vigília Pascal, foi convidado também a benzer este local depois de ter proferido uma pequena alocução sobre o valor e o significado da imagem da Consolata trazida pelo padre Ângelo Lunati da Itália e que, agora, será a guardiã desse pequenino santuário, cuidadosamente pintado por um muçulmano, e da fé de todos quantos a ele acudirem para orar independentemente da sua fé. Depois da cerimónia, já por volta das 13h00, as pessoas despediam-se do local enquanto a maioria das crianças se empurravam umas contra as outras em torno a uns quantos jovens que repartiam bolachas e sumo para tornar o momento mais solene.

A multidão, espalhada no pátio da missão, regalava-se agora copiosamente com o saboroso almoço que abundantemente foi oferecido às comunidades vindas de fora e a muitas pessoas locais que se fizeram convidar. Olhando à distância, via naquela gente adornada de cores festivas e gargalhadas fáceis, a imagem da consolação ou da satisfação trazida por Jesus ao mundo e tão presente na multiplicação dos banquetes antes e depois da Ressurreição.

Dadas as distâncias, a grande maioria das pessoas vindas das comunidades, pediram para ficar um pouco mais e partir no dia seguinte. As crianças que, pela primeira vez, saíram das suas pequenas aldeias rurais, corriam como pássaros livres por toda a parte inundando o espaço de alegria pascal. As mamãs cuidavam carinhosamente dos seus pequerruchos e os homens detinham-se em animadas cavaqueiras em línguas locais como no Pentecostes.

Segunda-feira, dia 22, madrugaram para lavar as mantas e limpar os espaços que ocuparam. Por volta das nove horas, depois de terem tomado o pequeno-almoço e recebido algumas latas de leite para as crianças e mais alguns produtos alimentares para partilharem com as pessoas mais pobres à sua chegada a casa, fizeram-se ao caminho em pequenos grupos olhando esporadicamente para trás com um misto de alegria e nostalgia como acontecia com os judeus ao deixarem Jerusalém repetindo secretamente no seu coração ‘O próximo ano em Massangulo’. Amen. Aleluia. Aleluia.
 
Superior Regional Visita Angola
Segunda, 24 Dezembro 2018 15:27

IMG 20181221 WA0011VISITA A LUACANO-DIOCESE DE LUENA
(12-22 de Dezembro)
Parti para Angola a 12 de Dezembro tendo chegado a Luanda às 21h00. Estavam à minha espera os Padres Freddy Gomez e Marcos Sembeye da residência da comunidade IMC da Paróquia de Santo Agostinho de Kapalanga.
Na manhã seguinte, o Padre Dani Romero acompanha-me ao aeroporto. Às 10 da manhã parto para Luena, situada a cerca de 1350 km a leste de Luanda. À minha espera estava o Padre Cipriano, diocesano de Luena, que me acompanha ao paço Episcopal de Luena, onde almoço. Dom Jesus Tirso Blanco (Dom Tirso), Bispo de Luena, ausente num encontro pastoral volta só à tardinha. Temos então um primeiro encontro para falarmos da nossa presença em Luacano.
No dia seguinte, às 6.00 da manhã parto de comboio para Luacano. São 230 quilómetros na histórica Linha Férrea de Benguela, com uma extensão de 1344 km, liga o litoral de Angola, o Porto de Lobito, com o interior, chegando a Luau, na fronteira com o República Democrática do Congo.
A viagem de ligação entre Luena e a vila de Luacano durou 4 horas Atravessamos grandes planícies de floresta e junto ao Parque Nacional da Cameia, vastas áreas pantanosas que se estão a encher de água (chanas) cobertas por capim alto e pequenos arbustos.
Às 10.00 cheguei à vila de Luacano. Está à minha espera o Padre Luiz António de Brito que desde finais de Outubro reside em Luacano. Até agora está sozinho. O Padre John Kyara, destinado à comunidade de Luacano, encontra-se ainda na Paróquia de Funda a tratar os documentos para a sua residência em Angola.
Chegámos à residência missionária situada num bairro para funcionários construído pelo Governo, o qual cedeu à diocese 2 casas geminadas para residência da equipa missionária.
A Diocese de Luena fez um excelente trabalho de remodelação da casa e equipou-a com tudo o que é essencial e com um conjunto de painéis solares que dá energia suficiente para a iluminação e alimentação de um frigorífico e de uma geleira. A Diocese entregou à Paróquia de Luacano um Toyota Land Cruiser de dupla cabine.
No sábado, dia 15 de Dezembro, começamos o dia com a Santa Missa às 5.30. A comunidade católica que durante muitos anos viveu um longo jejum eucarístico, tem a possibilidade de ter Missa diária. IMG 20181221 WA0005
De manhã fomos à estação ferroviária de Luacano buscar o material vindo de comboio de Benguela para usar na vedação do espaço à volta da casa paroquial (quintal). À tarde houve ensaios de cânticos para a Novena do Natal e para as solenidades que se seguem.
16 Dezembro, Domingo
Presido à Santa Missa às 8.00 horas. No início destapámos e abençoámos a imagem da Padroeira da Paróquia de Luacano, Santa Maria Mãe de Deus, mandado fazer em Luanda. Um amplo e bonito quadro de Maria que tem nos braços e apresenta o seu Filho.
IMG 20181216 WA0000Depois da Missa, seguiu-se o Conselho Pastoral Paroquial. O primeiro desde a criação da Paróquia e a tomada de posse do pároco, no dia 28 de Outubro de 2018. Os participantes da Assembleia Diocesana de Pastoral realizada no mês de Novembro deram o relatório dos temas tratados e apresentaram as conclusões (programação diocesana). A assembleia teve como tema a catequese.

No dia 18, juntamente com o Padre Luíz fizemos uma avaliação da nossa presença em Luacano e traçamos o caminho de futuro. O nosso irmão, apesar de estar sozinho e isolado, encontra-se bem e contente. As dificuldades são aqueles que sentimos nos inícios de qualquer obra: lugar novo, não conhecer ninguém, uma comunidade católica minúscula e abandonada, e até uma malária que contraíu alguns dias depois da sua chegada.
Aos poucos as dificuldadesforam ultrapassadas com a proximidade das pessoas, a diponibilidade dos católicos em colaborar, as visitas, o rezar juntos (mesmo com alguns pastores de outras igrejas que o vieram visitar em casa), a visita e apoio da equipa missionária argentina residente na paróquia de Lumeje (a 130 km de distância), etc.
Fizemos memória dos objectivos fundamentais da nossa presença em Luacano:
- Trabalho em equipa e bem coordenado;
- Prioridade ao primeiro anúncio;
- Visita às comunidades cristãs existentes e a criação de novas;
- Formação dos agentes de pastoral;
- Criação de centros pastorais (zonas ou áreas);
Actualmente a paróquia de Luacano é composta por 10 pequenas comunidades cristãs: Luacano, Kaifuche, Kalomba, Dilolo, Katu, Cassanguissa, Lituta, Catema, Caxita e Maia. Como estamos no período das chuvas é impossível visitá-las nos próximos meses. Agora a prioridade é a sede paroquial de Luacano. Trata-se de reorganizar a comunidade com a criação de comissões pastorais com a maior participação de todos, presença nos bairros (visita às famílias), formação dos catequistas, início da catequese, etc.
À tarde tivemos um encontro com o Administrador de Luacano. Rodrigues Chipango Sacuaha, (que é Adventista), manifestou o seu contentamento pela presença dos missionários e pela criação da Paróquia Católica de Luacano algo que considera muito importante para o crescimento espiritual e desenvolvimento humano da região. Mostrou a disponibilidade do Governo em continuar a colaborar com a Igreja Católica de promoção humana.

Na Quarta-Feira, dia 19 aproveitando a boleia de carro de um paroquiano, Bernardo Tomás, que se desloca de Luau, viajo para conhecer esta vila angolana situada na fronteira com a República Democrática do Congo. O objectivo da visita é também conhecer a estrada que os nossos padres terão que usar, atravessando o distrito de Luau, para visitar uma zona pastoral com 2 comunidades – Caxita e Maia – pertencente à paróquia de Luacano que estão na fronteira com o Congo.Saímos cedo, pelas 4.30 da manhã e demorámos 4 horas para percorrer a distância de 100 km entre Luacano e Luau, seguindo quase sempre de perto a linha férrea. Atravessámos planícies alagadas de água (chanas) e floresta fechada, uma região completamente desabitada. A estrada, é uma picada com muitos buracos, cheios de água, devido à chuva intensa destes dias. O Land Cruiser em que viajamos teve que ir directamente para a oficina pois perdemos a suspensão e os travões. Visitamos os Padres Dehonianos que têm a responsabilidade da Paróquia de Luau. A Paróquia-Missão de Santa Teresinha do Menino Jesus de Luau foi fundada pelos Beneditinos em 1936. Daqui, evangelizaram a região de Luacano onde fundaram uma escola-capela em 1937. A região de Luacano e as suas comunidades foi evangelizada a partir de daqui. Nas vésperas da independência, em 1974, os Beneditinos retiraram-se e toda esta vasta região ficou sem assistência pastoral. Logo de seguida veio a guerra civil entre MPLA e UNITA que tudo destruiu. Luau conseguiu resistir até 1984, ano em que foi ocupada pelos militares da UNITA. A população refugiou-se nos campos de refugiados na província do Katanga. A guerra terminou em 2002. Iniciou-se a reconstrução e o regresso dos refugiados. Os Padres Dehonianos assumiram a paróquia de Luau em 2005.A vila de Luau é uma hoje uma cidade completamente reconstruída. Com largas avenidas asfaltadas, uma moderna estação ferroviária, um aeroporto internacional, sem uso, e estrada asfaltada para leste, em direcção à Zambia, e para oeste, na direcção de Luanda, via Saurimo, capital da Lunda Sul. Depois do almoço, regressamos a Luacano debaixo de chuva:

20 Dezembro, Quinta-Feira
Missa às 5.30, durante a qual abençoámos e usámos pela primeira vez o altar e ambão em madeira que chegou ontem de Luena no comboio.Aproveito para visitar a pé, acompanhado por um catequista, os bairros de Luacano. A vila é maior do que à primeira vista parece. È formada por 8 bairros: Mwagaseki, Kandende, Operário, Camponês, Deolinda, Saulimo, Topi, Kawawa. Os habitantes são cerca de 8.000. Constato que existe bastante população e muitas igrejas e seitas de tipo pentecostal. A Igreja com uma presença mais consistente é a Igreja Evangélica dos Irmãos de Angola (IEIA) com igreja em 3 bairros. As casas nos bairros são, em geral de adobe (blocos de barro), pequenas, cobertas em geral com chapas de zinco, chão em terra batida, sem água mas com energia elétrica, quando o gerador da administração funciona. Na avenida principal da vila de Luacano já há casas melhores, quase todas do tempo colonial, e algumas infra-estruturas foram construídas pelo Governo recentemente: escolas (pré-primária, primária, secundária e profissional), posto de saúde e maternidade, casas para os funcionários, etc.
O dia seguinte, sexta feira é de regresso.De manhã, com o Padre Luíz, trocámos impressões sobre a visita e recordámos os compromissos assumidos. Acompanhado por ele, depois do almoço, dirijo-me para a estação de caminho de ferro. Depois das despedidas embarco de regresso a Luena, onde chego à noitinha.Depois do jantar, reúno-me ainda com o bispo Dom Tirso: assinámos a convenção sobre as mútuas relações e responsabilidades da Diocese e do instituto em relação à cura pastoral da paróquia de Luacano, os limites territoriais da paróquia, as prioridades pastorais, a vinda de uma equipa de Irmãs para Luacano, etc.
O Bispo manifesta o seu profundo agradecimento aos missionários da Consolata pela sua presença em Luacano (o único Município/Distrito da Diocese de Luena que até á nossa chegada não tinha nem padres nem paróquia) e recorda que conta muito com a nossa experiência missionária em África ad gentes e de formação dos leigos de modo ajudar a diocese no trabalho de evangelização. Da minha parte, agradeço o Bispo pela sua proximidade e por todo o apoio dado pela diocese (casa, carro, apoio logístico, etc.) para tornar possível a nossa presença na diocese de Luena e mais concretamente em Luacano.
No sábado, 22 de Dezembro, regresso a Luanda e início da visita à Comunidade IMC de Kapalanga
Logo de manhã vou celebrar a Missa na catedral de Luena. Mesmo de semana, igreja cheia de fiéis. Inicia a visita à comunidade IMC de Kapalanga. Todos os confrades estão nas celebrações da Novena de Natal em diferentes comunidades.

P. Diamantino Antunes

Actualizado em Sábado, 29 Dezembro 2018 23:44
 
Voluntários da Consolata: Missão Família
Quinta, 20 Setembro 2018 17:34

IMG 20180905 WA0002Relato de experiência de Voluntariado em Família

Somos uma família de Ovar, que nos últimos anos colocou a possibilidade de fazer parte de um projeto de voluntariado. Como católicos, e sendo a opção preferencial pelos mais pobres um dos valores que tentamos viver, ir em missão com os nossos 4 filhos pareceu-nos um bom desafio. Os Missionários da Consolata acolheram este nosso projeto e ajudaram-nos a concretiza-lo no Centro de Promoção Humana de Guiúa e anexa Paróquia de Santa Isabel de Guiúa, na diocese de Inhambane – Moçambique. 
Entusiasmados, partimos. Levávamos connosco a vontade de estar ao serviço no que fosse necessário, de conhecer uma realidade muito diferente da nossa e de viver uma experiência de “missão”. Partimos confiantes que iria ser uma experiência única. Não nos enganamos!IMG 20180812 WA0003
Inhambane é conhecida como terra de boa gente e foi isso que encontramos: um acolhimento caloroso por parte das pessoas das diversas comunidades onde estivemos. Uma palavra especial para o padre Gabriel Casadei, que nos fez sentir em casa desde o momento em que chegamos e nos mostrou o que era de facto estar em missão. Um exemplo que nos marcou a todos, especialmente aos mais novos da família.

IMG 20180905 WA0000Estar ao serviço é colocar à disposição dos outros as capacidade e dons que Deus nos deu. Com esta premissa, e depois do primeiro contacto com a comunidade, delinearam-se as tarefas. Com algum material que levamos organizaram-se atividades nas escolinhas do pré-escolar,  entre elas as atividades desportivas e didáticas para ocupação do tempo de férias das crianças, aulas de informática para adultos e a ajuda aos estudantes na biblioteca com os trabalhos de casa. Colaboramos também na manutenção das infraestruturas da Missão, fazendo um pouco de tudo (arrumar, organizar, consertar, …). Descobrimos que, com a atitude correta, podemos fazer muito mais do que inicialmente achamos.IMG 20180905 WA0001

Encontramos uma igreja viva, com uma aposta clara nos leigos como elementos dinamizadores das suas comunidades. Mas também uma vivência e disponibilidade extraordinária por parte destes a desempenhar esse papel. A troca de experiências com as famílias de catequistas que se encontravam em formação no Centro, permitiu testemunhar isso mesmo. Acompanhar e integrar as atividades de catequese, visita aos doentes, Eucaristia permitiu vivenciar comunidades de crentes conscientes da sua fé em Jesus Cristo.  

IMG 20180905 WA0003Foram dias cheios… cheios de trabalho, aprendizagens, de experiências, de convívio … cheios de Deus, pois sentimos a alegria de estar ao serviço, de nos sentirmos implicados na construção do Reino de Deus… foi uma oportunidade de lançar uma “semente” na vida dos nossos filhos, que esperamos que dê muitos e bons frutos… E estamos convictos que sim, pois já estão a pensar na próxima “missão”! Enquanto esse dia não chega, vamos continuar a abraçar o grande desafio de sermos missionários na nossa terra!

Actualizado em Quinta, 20 Setembro 2018 18:14
 
Relato da Viagem a Angola
Terça, 09 Janeiro 2018 20:17

Visita Superior 2017 Ofertório13-17 de Dezembro: Kapalanga-Luanda
Parto para Angola. Depois de 4 horas de voo directo entre Maputo e Luanda na Companhia Aérea de Angola (TAAG) cheguei a Luanda às 21.00. Esperam-me os Padres Freddy Gomez e Marcos Sembeye. Pouco depois chegamos ao Bairro de Kapalanga, na periferia de Maputo onde residem os Padres da Consolata.
O dia seguinte é de encontro com o arcebispo de Luanda  Dom Filomeno do Nascimento Vieira Dias, um antigo colega de estudos em Roma, que não encontrava há mais de 20 anos. Falamos sobre da presença dos Missionários da Consolata em Angola. E foi uma oportunidade para pedir alguns conselhos. 

É o início da Novena de preparação do Natal nas comunidades da Paróquia de Kapalanga e ajudo também nas celebrações que têm uma grande participação de fiéis. Desde a última visita, em finais de 2015, vejo algumas novidades: a construção de um alpendre lateral na igreja para acolher mais pessoas e protege-las do sol, colocação de mosaico em todo o chão da igreja. Os missionários trabalham mas não ofazem sózinhos, a comunidade caminha com eles.
18-22 Dezembro: Visita ao Moxico-Luena e a LuacanoVisita Superior 2017 Luacano
Pontualmente, às 5.00 da manhã parto para Luena com o Padre Fredy Goméz. Luena situa-se a leste de Luanda, a 1350 km. O clima é mais fresco e as chuvas caem com intensidade. Somos acolhidos no Paço episcopal por Dom Jesus Tirso Blanco (Dom Tirso), Bispo de Luena, com muita amabilidade e simpatia. Agradeceu a disponibilidade dos Missionários da Consolata para trabalhar na sua diocese. Falou-nos das principais dificuldades e preocupações. Ficou-me a imagem dum homem extremamente zeloso e dinâmico, sempre à procura de novos caminhos e de novas soluções para superar as dificuldades com que se vai deparando no exercício do seu ministério. Um verdadeiro pastor!
A passagem por Luena foi rápida mas intensa, um dia inteiro, quase todo passado em visitas às paróquias da cidade e dos arredores, incluíndo a Missão de Moxico Velho, a mais antiga da diocese, fundada 1933.
Visita Superior 2017 Estação LuacanoÀs 9.00, do dia seguinte partimos de comboio com Dom Tirso de Luena para Luacano. São 230 quilómetros na histórica Linha Férrea de Benguela. O caminho de ferro de Benguela, iniciado em 1899 e concluído em 1929, tem uma extensão de 1344 km e dá acesso à parte mais interior de Angola. Liga o litoral, o Porto de Lobito, e chega a Luau, na fronteira com o Congo. Atravessando a fronteira, encontra-se ligado às linhas ferroviárias da República Democrática do Congo e da Zâmbia. Com a guerra civil a linha férrea foi destruída e o comboio deixou de circular. Em 2009, foi concluída a remoção das minas que existiam nesta linha e deu-se início à sua completa reabilitação, trabalho que terminou em 2015.
A ligação entre Luena e o Município de Luacano está agora  facilitada. Em 4 horas de viagem atravessamos grandes planícies de floresta e sobretudo, junto ao Parque Nacional da Cameia, imensos pântanos cheios de água e cobertos por capim alto e pequenos arbustos. Nesta época das chuvas formam-se grandes lagoas onde abunda muito peixe. Às 13.00 chegámos à vila de Luacano. Fomos recebidos pelos responsáveis da comunidade cristã local que nos acompanham à futura residência dos Padres.
Chove intensamente. No dia seguinte, 20 de Dezembro, celebramos a Missa na capela de Luacano a que se seguiu uma reunião com a comunidade cristã para um momento de partilha e conhecimento mútuo. Apresento os Missionários da Consolata – seu carisma, missão, presença em África e em Angola. Os catequistas responsáveis das comunidade e das comissões apresentam a realidade da comunidade. Pastoralmente a comunidade atravessa grandes dificuldades. Ao abandono pastoral devido à ausência de missionários desde 1968 – devido à guerra colonial e civil, que foi muito intensa nesta região e que terminou apenas em 2002. O acompanhamento pastoral por parte da diocese tem sido mínimo, por falta de missionários, limitando-se a uma visita anual do bispo da diocese às comunidades do Município de Luacano, celebrando alguns sacramentos a candidatos ao baptismo e casamentos preparados pelos catequistas.
Visito os bairros situados ao redor de Luacano. Constato que existe muita população e muitas igrejas e seitas de tipo pentecostal. A pobreza e o desleixo saltam aos olhos. Tudo é muito precário. As casas são, em geral de adobe (blocos de barro), pequenas, cobertas com chapas de zinco, chão de terra batida, sem água e nem energia elétrica. Na vila de Luacano já há casas melhores, algumas do tempo colonial mas poucas pois quase tudo foi destruído com a guerra. Apenas algumas infra-estruturas foram construídas pelo Governo recentemente: escolas (pré-primária, primária, secundária e profissional), posto de saúde e maternidade, casas para os funcionários, etc..
No dia 21 de Dezembro, regresamos a Luena.e no dia seguinte, visitao a cidade, ex-vila Luso, fundada em Março de 1895, através da Portaria de 25 de Fevereiro de 1922, criando a sede da Província do Moxico. Com a independência, alcançada a 11 Novembro 1975, passou a chamar-se de Luena, nome do rio que banha o extremo sul da cidade. Actualmente a cidade tem mais de 300 mil habitantes. Luena está a 1.350 metros acima do nível do mar, possui um clima tropical modificado pela altitude, com uma pluviometria média anual de cerca de 1.200 mm e temperatura média de 21ºC.
Foi em Luena que ocorreram algumas das hostilidades que espoletaram a Guerra Civil Angolana, e foi aqui perto, no Lucusse, que foi morto Jonas Savimbi, líder da UNITAVisita Superior 2017 missa Funda, em 2002. É conhecida por cidade da paz, por ostentar o Monumento a Paz, que simboliza o fim do conflito armado que o país viveu.

23-31 de Dezembro: Visita a Funda-Caxito
No dia 23 de Dezembro regressamos a Luanda. À nossa espera estão os Padres Sylvester, Luiz António e Heradius, missionários da Consolata que trabalham na Paróquia de Nossa Senhora da Consolata: Inicio a visita aos missionários e à paróquia de Funda.
A nova Paróquia de Funda faz parte da Diocese de Caxito no noroeste de Angola. Caxito é a capital da província do Bengo e sede episcopal, Funda, noutros tempos, era considerada o celeiro de Luanda, e a maior parte dos seus habitantes dedicava-se à agricultura. Hoje, devido à chegada maciça de pessoas que deixam o centro de Luanda e se transferem para esta zona, a região de Funda está a transformar-se numa periferia urbana. Por isso, a população é constituída por um mosaico de étnias, sempre em crescimento, sem identidade cultural própria, carecidos de pontos de referência nas instituições públicas. O contínuo aumento da população torna difícil estimar o número exacto dos habitantes.
No mês de Dezembro de 2016 os Missionários da Consolata assumiram a responsabilidade pastoral da região de Funda com a tarefa de criar uma nova paróquia.
A comunidade de Funda, tem 23 bairros e é a menos populosa, com estimativa populacional de 65.595 habitantes. Os católicos são cerca de 18.000.
Visita Superior 2017 FundaNo dia Domingo 24 de Dezembro, véspera de Natal, a Paróquia de Funda recebeu a visita do bispo de Caxito, Dom António Jaca. Os fiéis das 20 comunidades que constituem a paróquia convergiram para a sede da nova paróquia situada no bairro de Mulondo. Em poucos meses, neste lugar – um terreno de 15.000 m2 - onde no início do ano anterior não havia nada, os missionários da Consolata com a colaboração das comunidades já edificaram as estruturas básicas para o funcionamento da Paróquia: um salão com 35 m x 15 m com sacristia e casas de . Muito trabalho realizado em pouco tempo.

Não só de obras materiais é feito o quotidiano dos nossos missionários, mas também de muita e qualificada acção pastoral: visita às comunidades cristãs, formação dos catequistas e dos diferentes ministérios, acompanhamentos dos grupos e movimentos laicais. Foram centenas os paroquianos que participaram na Missa celebrada ao ar livre pois o salão-igreja era pequeno para conter tamanha assembleia. Na homília, o bispo recordou e agradeceu o muito feito pelos missionários em tão pouco tempo. A assembleia manifestou o seu contentamento pela presença dos Missionários da Consolata e pelo trabalho que com eles estão realizando. Neste momento mobilizam-se para iniciar os trabalhos de construção da residência paroquial.
À noite presidi à Missa do Galo na sede paroquial. O salão-igreja estava cheio de fiéis que participaram activamente na celebração do nascimento de Jesus. Depois da Missa, os jovens representaram o teatro do nascimento de Jesus.
Celebro a Missa de Natal na comunidade de Cristo Rei no Bairro de Muculo, a cerca de 14 km da sede paroquial. Os outros padres celebram na sede paroquial e em outras duas comunidades cristãs.
Visita Superior 2017 noviçosA Paróquia de Nossa Senhora da Consolata de Funda é constituída por 20 comunidades cristãs, organizadas em 4 zonas pastorais. O território da paróquia é de cerca de 132 km 2, situado entre as margens do rio Bengo e uma elevação que de Kifangondo vai até ao lago Cabiri. A Paróquia tem cerca de 20 km de cumprimentos e 7 km de largura.
No último dia encontro-me com os missionários das duas comunidades IMC de Angola em Funda. É um acontecimento importante pois é a primeira visita do superior da Região de Moçambique com os missionários da Consolata de Angola.
O tema principal do nosso encontro foi a reflexão sobre a proposta um Projecto Missionário IMC em Angola o qual dê as linhas gerais da nossa forma de presença e acção para o futuro e que contemple todas as áreas do nosso agir e ser missionário: vida comunitária, acção pastoral, Animação Missionária e Vocacional, Formação de base e permanente.
Apresentei o relatório da minha visita às Dioceses de Luena e Luacano. Os missionários consideram necessária esta nova missão pois trata-se de retomar a evangelização católica numa região totalmente abandonada. Com a chegada de mais três missionários vamos iniciar ainda este ano a nova missão de Luacano.

P. Diamantino Antunes

Actualizado em Terça, 09 Janeiro 2018 21:15
 
Visita do Administrador Apostólico a Tete
Segunda, 04 Setembro 2017 16:17

IMG 20170829 WA0001No primeiro dia da sua estadia em Fingoé o Administrador Aposólico, acompanhado pelo superior dos IMG 20170901 WA0000Missionários da Consolata e pela comunidade de Fingoé visitaou as pessoas e as instalações da paróquia. Detaque-se o lar masculino Consolata em construção.

Os trabalhos estão em bom ponto: a escolinha paroquial e a casa das Irmãs Franciscanas Hospitaleiras, recém-chegadas a Fingoè.

O resto do dia foi dedicado ao encontro comunitário com os missionários onde foi apresentado o trabalho pastoral realizado e os futuros projectos. Padre Sandro Faedi, começou por apresentar uma avaliação dos seus primeiros três meses de governo pastoral da Diocese de Tete e inteirou-se da situação pastoral das paróquias confiadas aos Missionários da Consolata na Marávia e Zumbo: visitas e criação de novas comunidades e zonas pastorais, cursos de formação, catequistado de Uncanha, construções, etc.IMG 20170901 WA0002
No final do dia celebrou a Eucaristia na igreja paroquial de Fingoè, acolhido pela comunidade cristã. Conhece e dá-se a conhecer, encoraja e agradece.

IMG 20170830 WA0000O dia seguinte é dedicado à visita à Paróquia-Missão de Nyamawende, em Uncanha. Parte-se cedo e chega-se por volta das 9h30. Pelo caminho vão-se indicando os novos núcleos fundados, com o respectivo lugar de culto, em algumas aldeias à beira da estrada.

Um pouco antes da entrada para a paróquia de Nyamawende, um grupo de cristãos está à espera para acolher em festa o administrador apostólico e os restantes missionários. Forma-se uma procissão, e ao som de cânticos, avança-se lentamente para a igreja paroquial. Depois das saudações e confissões, inicia-se a Santa Missa. Presidida pelo Padre Sandro Faedi. A nova e ampla igreja paroquial está cheia de fiéis. A Missa prolonga-se além das 13h00. Canta-se e dança-se muio e sem pressa. Liturgia bem animada. O administrador apostólico apresenta-se e dirige palavras de agradecimento e encorajamento pelo IMG 20170831 WA0003trabalho realizado e em tão pouco tempo. O que há pouco de mais de 2 anos era mato, agora é um lugar amplo, limpo e com as estruturas pastorais fundamentais: igreja, pequena residência, um armazém e um poço ao serviço da população.

IMG 20170830 WA0002
No último dia da visita, logo de manhã, Padre Sandro Faedi parte para Tete. A visita foi breve, mas intensa.

Actualizado em Terça, 05 Setembro 2017 20:17
 
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