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Voluntários da Consolata: Missão Família
Quinta, 20 Setembro 2018 17:34

IMG 20180905 WA0002Relato de experiência de Voluntariado em Família

Somos uma família de Ovar, que nos últimos anos colocou a possibilidade de fazer parte de um projeto de voluntariado. Como católicos, e sendo a opção preferencial pelos mais pobres um dos valores que tentamos viver, ir em missão com os nossos 4 filhos pareceu-nos um bom desafio. Os Missionários da Consolata acolheram este nosso projeto e ajudaram-nos a concretiza-lo no Centro de Promoção Humana de Guiúa e anexa Paróquia de Santa Isabel de Guiúa, na diocese de Inhambane – Moçambique. 
Entusiasmados, partimos. Levávamos connosco a vontade de estar ao serviço no que fosse necessário, de conhecer uma realidade muito diferente da nossa e de viver uma experiência de “missão”. Partimos confiantes que iria ser uma experiência única. Não nos enganamos!IMG 20180812 WA0003
Inhambane é conhecida como terra de boa gente e foi isso que encontramos: um acolhimento caloroso por parte das pessoas das diversas comunidades onde estivemos. Uma palavra especial para o padre Gabriel Casadei, que nos fez sentir em casa desde o momento em que chegamos e nos mostrou o que era de facto estar em missão. Um exemplo que nos marcou a todos, especialmente aos mais novos da família.

IMG 20180905 WA0000Estar ao serviço é colocar à disposição dos outros as capacidade e dons que Deus nos deu. Com esta premissa, e depois do primeiro contacto com a comunidade, delinearam-se as tarefas. Com algum material que levamos organizaram-se atividades nas escolinhas do pré-escolar,  entre elas as atividades desportivas e didáticas para ocupação do tempo de férias das crianças, aulas de informática para adultos e a ajuda aos estudantes na biblioteca com os trabalhos de casa. Colaboramos também na manutenção das infraestruturas da Missão, fazendo um pouco de tudo (arrumar, organizar, consertar, …). Descobrimos que, com a atitude correta, podemos fazer muito mais do que inicialmente achamos.IMG 20180905 WA0001

Encontramos uma igreja viva, com uma aposta clara nos leigos como elementos dinamizadores das suas comunidades. Mas também uma vivência e disponibilidade extraordinária por parte destes a desempenhar esse papel. A troca de experiências com as famílias de catequistas que se encontravam em formação no Centro, permitiu testemunhar isso mesmo. Acompanhar e integrar as atividades de catequese, visita aos doentes, Eucaristia permitiu vivenciar comunidades de crentes conscientes da sua fé em Jesus Cristo.  

IMG 20180905 WA0003Foram dias cheios… cheios de trabalho, aprendizagens, de experiências, de convívio … cheios de Deus, pois sentimos a alegria de estar ao serviço, de nos sentirmos implicados na construção do Reino de Deus… foi uma oportunidade de lançar uma “semente” na vida dos nossos filhos, que esperamos que dê muitos e bons frutos… E estamos convictos que sim, pois já estão a pensar na próxima “missão”! Enquanto esse dia não chega, vamos continuar a abraçar o grande desafio de sermos missionários na nossa terra!

Actualizado em Quinta, 20 Setembro 2018 18:14
 
Relato da Viagem a Angola
Terça, 09 Janeiro 2018 20:17

Visita Superior 2017 Ofertório13-17 de Dezembro: Kapalanga-Luanda
Parto para Angola. Depois de 4 horas de voo directo entre Maputo e Luanda na Companhia Aérea de Angola (TAAG) cheguei a Luanda às 21.00. Esperam-me os Padres Freddy Gomez e Marcos Sembeye. Pouco depois chegamos ao Bairro de Kapalanga, na periferia de Maputo onde residem os Padres da Consolata.
O dia seguinte é de encontro com o arcebispo de Luanda  Dom Filomeno do Nascimento Vieira Dias, um antigo colega de estudos em Roma, que não encontrava há mais de 20 anos. Falamos sobre da presença dos Missionários da Consolata em Angola. E foi uma oportunidade para pedir alguns conselhos. 

É o início da Novena de preparação do Natal nas comunidades da Paróquia de Kapalanga e ajudo também nas celebrações que têm uma grande participação de fiéis. Desde a última visita, em finais de 2015, vejo algumas novidades: a construção de um alpendre lateral na igreja para acolher mais pessoas e protege-las do sol, colocação de mosaico em todo o chão da igreja. Os missionários trabalham mas não ofazem sózinhos, a comunidade caminha com eles.
18-22 Dezembro: Visita ao Moxico-Luena e a LuacanoVisita Superior 2017 Luacano
Pontualmente, às 5.00 da manhã parto para Luena com o Padre Fredy Goméz. Luena situa-se a leste de Luanda, a 1350 km. O clima é mais fresco e as chuvas caem com intensidade. Somos acolhidos no Paço episcopal por Dom Jesus Tirso Blanco (Dom Tirso), Bispo de Luena, com muita amabilidade e simpatia. Agradeceu a disponibilidade dos Missionários da Consolata para trabalhar na sua diocese. Falou-nos das principais dificuldades e preocupações. Ficou-me a imagem dum homem extremamente zeloso e dinâmico, sempre à procura de novos caminhos e de novas soluções para superar as dificuldades com que se vai deparando no exercício do seu ministério. Um verdadeiro pastor!
A passagem por Luena foi rápida mas intensa, um dia inteiro, quase todo passado em visitas às paróquias da cidade e dos arredores, incluíndo a Missão de Moxico Velho, a mais antiga da diocese, fundada 1933.
Visita Superior 2017 Estação LuacanoÀs 9.00, do dia seguinte partimos de comboio com Dom Tirso de Luena para Luacano. São 230 quilómetros na histórica Linha Férrea de Benguela. O caminho de ferro de Benguela, iniciado em 1899 e concluído em 1929, tem uma extensão de 1344 km e dá acesso à parte mais interior de Angola. Liga o litoral, o Porto de Lobito, e chega a Luau, na fronteira com o Congo. Atravessando a fronteira, encontra-se ligado às linhas ferroviárias da República Democrática do Congo e da Zâmbia. Com a guerra civil a linha férrea foi destruída e o comboio deixou de circular. Em 2009, foi concluída a remoção das minas que existiam nesta linha e deu-se início à sua completa reabilitação, trabalho que terminou em 2015.
A ligação entre Luena e o Município de Luacano está agora  facilitada. Em 4 horas de viagem atravessamos grandes planícies de floresta e sobretudo, junto ao Parque Nacional da Cameia, imensos pântanos cheios de água e cobertos por capim alto e pequenos arbustos. Nesta época das chuvas formam-se grandes lagoas onde abunda muito peixe. Às 13.00 chegámos à vila de Luacano. Fomos recebidos pelos responsáveis da comunidade cristã local que nos acompanham à futura residência dos Padres.
Chove intensamente. No dia seguinte, 20 de Dezembro, celebramos a Missa na capela de Luacano a que se seguiu uma reunião com a comunidade cristã para um momento de partilha e conhecimento mútuo. Apresento os Missionários da Consolata – seu carisma, missão, presença em África e em Angola. Os catequistas responsáveis das comunidade e das comissões apresentam a realidade da comunidade. Pastoralmente a comunidade atravessa grandes dificuldades. Ao abandono pastoral devido à ausência de missionários desde 1968 – devido à guerra colonial e civil, que foi muito intensa nesta região e que terminou apenas em 2002. O acompanhamento pastoral por parte da diocese tem sido mínimo, por falta de missionários, limitando-se a uma visita anual do bispo da diocese às comunidades do Município de Luacano, celebrando alguns sacramentos a candidatos ao baptismo e casamentos preparados pelos catequistas.
Visito os bairros situados ao redor de Luacano. Constato que existe muita população e muitas igrejas e seitas de tipo pentecostal. A pobreza e o desleixo saltam aos olhos. Tudo é muito precário. As casas são, em geral de adobe (blocos de barro), pequenas, cobertas com chapas de zinco, chão de terra batida, sem água e nem energia elétrica. Na vila de Luacano já há casas melhores, algumas do tempo colonial mas poucas pois quase tudo foi destruído com a guerra. Apenas algumas infra-estruturas foram construídas pelo Governo recentemente: escolas (pré-primária, primária, secundária e profissional), posto de saúde e maternidade, casas para os funcionários, etc..
No dia 21 de Dezembro, regresamos a Luena.e no dia seguinte, visitao a cidade, ex-vila Luso, fundada em Março de 1895, através da Portaria de 25 de Fevereiro de 1922, criando a sede da Província do Moxico. Com a independência, alcançada a 11 Novembro 1975, passou a chamar-se de Luena, nome do rio que banha o extremo sul da cidade. Actualmente a cidade tem mais de 300 mil habitantes. Luena está a 1.350 metros acima do nível do mar, possui um clima tropical modificado pela altitude, com uma pluviometria média anual de cerca de 1.200 mm e temperatura média de 21ºC.
Foi em Luena que ocorreram algumas das hostilidades que espoletaram a Guerra Civil Angolana, e foi aqui perto, no Lucusse, que foi morto Jonas Savimbi, líder da UNITAVisita Superior 2017 missa Funda, em 2002. É conhecida por cidade da paz, por ostentar o Monumento a Paz, que simboliza o fim do conflito armado que o país viveu.

23-31 de Dezembro: Visita a Funda-Caxito
No dia 23 de Dezembro regressamos a Luanda. À nossa espera estão os Padres Sylvester, Luiz António e Heradius, missionários da Consolata que trabalham na Paróquia de Nossa Senhora da Consolata: Inicio a visita aos missionários e à paróquia de Funda.
A nova Paróquia de Funda faz parte da Diocese de Caxito no noroeste de Angola. Caxito é a capital da província do Bengo e sede episcopal, Funda, noutros tempos, era considerada o celeiro de Luanda, e a maior parte dos seus habitantes dedicava-se à agricultura. Hoje, devido à chegada maciça de pessoas que deixam o centro de Luanda e se transferem para esta zona, a região de Funda está a transformar-se numa periferia urbana. Por isso, a população é constituída por um mosaico de étnias, sempre em crescimento, sem identidade cultural própria, carecidos de pontos de referência nas instituições públicas. O contínuo aumento da população torna difícil estimar o número exacto dos habitantes.
No mês de Dezembro de 2016 os Missionários da Consolata assumiram a responsabilidade pastoral da região de Funda com a tarefa de criar uma nova paróquia.
A comunidade de Funda, tem 23 bairros e é a menos populosa, com estimativa populacional de 65.595 habitantes. Os católicos são cerca de 18.000.
Visita Superior 2017 FundaNo dia Domingo 24 de Dezembro, véspera de Natal, a Paróquia de Funda recebeu a visita do bispo de Caxito, Dom António Jaca. Os fiéis das 20 comunidades que constituem a paróquia convergiram para a sede da nova paróquia situada no bairro de Mulondo. Em poucos meses, neste lugar – um terreno de 15.000 m2 - onde no início do ano anterior não havia nada, os missionários da Consolata com a colaboração das comunidades já edificaram as estruturas básicas para o funcionamento da Paróquia: um salão com 35 m x 15 m com sacristia e casas de . Muito trabalho realizado em pouco tempo.

Não só de obras materiais é feito o quotidiano dos nossos missionários, mas também de muita e qualificada acção pastoral: visita às comunidades cristãs, formação dos catequistas e dos diferentes ministérios, acompanhamentos dos grupos e movimentos laicais. Foram centenas os paroquianos que participaram na Missa celebrada ao ar livre pois o salão-igreja era pequeno para conter tamanha assembleia. Na homília, o bispo recordou e agradeceu o muito feito pelos missionários em tão pouco tempo. A assembleia manifestou o seu contentamento pela presença dos Missionários da Consolata e pelo trabalho que com eles estão realizando. Neste momento mobilizam-se para iniciar os trabalhos de construção da residência paroquial.
À noite presidi à Missa do Galo na sede paroquial. O salão-igreja estava cheio de fiéis que participaram activamente na celebração do nascimento de Jesus. Depois da Missa, os jovens representaram o teatro do nascimento de Jesus.
Celebro a Missa de Natal na comunidade de Cristo Rei no Bairro de Muculo, a cerca de 14 km da sede paroquial. Os outros padres celebram na sede paroquial e em outras duas comunidades cristãs.
Visita Superior 2017 noviçosA Paróquia de Nossa Senhora da Consolata de Funda é constituída por 20 comunidades cristãs, organizadas em 4 zonas pastorais. O território da paróquia é de cerca de 132 km 2, situado entre as margens do rio Bengo e uma elevação que de Kifangondo vai até ao lago Cabiri. A Paróquia tem cerca de 20 km de cumprimentos e 7 km de largura.
No último dia encontro-me com os missionários das duas comunidades IMC de Angola em Funda. É um acontecimento importante pois é a primeira visita do superior da Região de Moçambique com os missionários da Consolata de Angola.
O tema principal do nosso encontro foi a reflexão sobre a proposta um Projecto Missionário IMC em Angola o qual dê as linhas gerais da nossa forma de presença e acção para o futuro e que contemple todas as áreas do nosso agir e ser missionário: vida comunitária, acção pastoral, Animação Missionária e Vocacional, Formação de base e permanente.
Apresentei o relatório da minha visita às Dioceses de Luena e Luacano. Os missionários consideram necessária esta nova missão pois trata-se de retomar a evangelização católica numa região totalmente abandonada. Com a chegada de mais três missionários vamos iniciar ainda este ano a nova missão de Luacano.

P. Diamantino Antunes

Actualizado em Terça, 09 Janeiro 2018 21:15
 
Visita do Administrador Apostólico a Tete
Segunda, 04 Setembro 2017 16:17

IMG 20170829 WA0001No primeiro dia da sua estadia em Fingoé o Administrador Aposólico, acompanhado pelo superior dos IMG 20170901 WA0000Missionários da Consolata e pela comunidade de Fingoé visitaou as pessoas e as instalações da paróquia. Detaque-se o lar masculino Consolata em construção.

Os trabalhos estão em bom ponto: a escolinha paroquial e a casa das Irmãs Franciscanas Hospitaleiras, recém-chegadas a Fingoè.

O resto do dia foi dedicado ao encontro comunitário com os missionários onde foi apresentado o trabalho pastoral realizado e os futuros projectos. Padre Sandro Faedi, começou por apresentar uma avaliação dos seus primeiros três meses de governo pastoral da Diocese de Tete e inteirou-se da situação pastoral das paróquias confiadas aos Missionários da Consolata na Marávia e Zumbo: visitas e criação de novas comunidades e zonas pastorais, cursos de formação, catequistado de Uncanha, construções, etc.IMG 20170901 WA0002
No final do dia celebrou a Eucaristia na igreja paroquial de Fingoè, acolhido pela comunidade cristã. Conhece e dá-se a conhecer, encoraja e agradece.

IMG 20170830 WA0000O dia seguinte é dedicado à visita à Paróquia-Missão de Nyamawende, em Uncanha. Parte-se cedo e chega-se por volta das 9h30. Pelo caminho vão-se indicando os novos núcleos fundados, com o respectivo lugar de culto, em algumas aldeias à beira da estrada.

Um pouco antes da entrada para a paróquia de Nyamawende, um grupo de cristãos está à espera para acolher em festa o administrador apostólico e os restantes missionários. Forma-se uma procissão, e ao som de cânticos, avança-se lentamente para a igreja paroquial. Depois das saudações e confissões, inicia-se a Santa Missa. Presidida pelo Padre Sandro Faedi. A nova e ampla igreja paroquial está cheia de fiéis. A Missa prolonga-se além das 13h00. Canta-se e dança-se muio e sem pressa. Liturgia bem animada. O administrador apostólico apresenta-se e dirige palavras de agradecimento e encorajamento pelo IMG 20170831 WA0003trabalho realizado e em tão pouco tempo. O que há pouco de mais de 2 anos era mato, agora é um lugar amplo, limpo e com as estruturas pastorais fundamentais: igreja, pequena residência, um armazém e um poço ao serviço da população.

IMG 20170830 WA0002
No último dia da visita, logo de manhã, Padre Sandro Faedi parte para Tete. A visita foi breve, mas intensa.

Actualizado em Terça, 05 Setembro 2017 20:17
 
Diário de Missão: Visita a Tete - Fingoé Missão de Fronteira
Sábado, 06 Maio 2017 17:11

IMG 20170427 WA000024 de Abril, segunda-feira, partida para Tete

Viajo de avião de Lichinga para Tete, com padre Carlo Biella. Chegamos à 1 hora da tarde. Estavam à nossa espera os padres Franco Gioda e Leonel Toledo. À tarde fazemos algumas compras e prepara-se a viagem para o dia seguinte.

 25 de Abril, terça-feira, chegada a Fingoè

Deixámos Tete bem cedo e rumámos em direcção a Fingòe. Fazemos uma breve paragem na paróquia de Mavuzi-Ponte e Mange. Ao atravessarmos o rio Capoche entramos no distrito da Marávia e no território da Paróquia de Nossa Senhora da Consolata de Fingoè. O Pe Carlo desce o carro e pisa pela primeira vez o vasto território missionário onde irá trabalhar. A recebermos em Fingoè está o padre Jacinto Mwallongo. Depois do almoço, reúno-me com esta renovada comunidade IMC.IMG 20170425 WA0001

26 de Abril, quarta-Feira: Visita à Paróquia de Uncanha-Nyamawende

Partimos cedo para Nyamawende, com os padres Gioda, Leonel e Carlos. Este começa a conhecer o vasto território das 3 missões de que será pároco. O Padre Jacinto fica em Fingoè a cuidar dos trabalhos e do andamento da Paróquia.
Fico com o padre Carlos em Nyamawende para a celebração da Missa, enquanto os padres Franco e Leonel foram celebrar a Eucaristia em Ulendo e Songeia. Apresento o padre Carlos à comunidade cristã de Nyamawende e ele preside à Santa Missa usando já a língua chichewa.

IMG 20170426 WA000027 de Abril, quinta-feira: Viagem para Zumbo
Logo de manhã visitamos a Missão de Uncanha onde pudemos constatar que procedem a bom ritmo os trabalhos de recuperação da residência missionária com vista à instalação do catequistado para a formação de catequistas e animadores das 3 missões confiadas ao IMC. Viajámos bem até Zumbo (180km). Pelo caminho parámos em várias aldeias para saudar os cristãos, deixar avisos e distribuir conselhos. Chegámos à tardinha a Zumbo, onde um grupo de mães já tinha tudo preparado para nos acolher na casa da Paróquia. IMG 20170427 WA0004

Depois do almoço, com os padres Leonel e Carlos, de barco, subimos o rio Zambeze e fomos conhecer a vila da Feira, na Zâmbia.

O caudal do rio Zambeze neste período do ano inunda ambas as margens. Extraordinária a visão que temos do rio a dividir duas montanhas. De um lado a Zâmbia e do outro o Zimbabué. Pode ainda divisar-se um afluente do Zambeze, o rio Aruangua, que divide Moçambique da Zâmbia.

Forma-se ali um delta tropical rochoso muito bonito, com a vila de Zumbo de um lado e do outro a vila da Feira (Zâmbia). Feira é uma vila comercial onde se encontra e se vende quase tudo e onde os moçambicanos, atravessando o rio se deslocam diariamente para vender e comprar um pouco de tudo. Depois da visita, regressámos de noite a Zumbo para a celebração da Missa.

IMG 20170428 WA000128 de Abril, sexta-feira: Visita e Missa em Zumbo, Bawa e Kaembua

Logo de manhã o Padre Leonel apanha o barco que o levou até à aldeia de Bawa, da outra margem do rio Zambeze. Nesta comunidade católica, pertencente à distante Missão de Mukumbura, celebrou a Eucaristia, como tem sido habitual nas suas visitas ao Zumbo. Padre Franco foi visitar e celebrar a Missa numa nova comunidade que acaba de nascer nas imediações de Zumbo. Eu fico com o padre Carlos no Zumbo e celebramos a Missa para comunidade local. O padre Carlos foi apresentado como novo pároco.

29 de Abril, sábado: Regresso a Fingoè

Bem cedo deixamos Zumbo rumo a Fingoè. Parámos em Zambwe, sede da área pastoral, onde verificámos os trabalhos de construção da casa de acolhimento para os missionários. Continuámos viagem até Nyamawende onde almoçámos. Depois da verificação dos trabalhos e das recomendações dadas ao animador, parte-se para Fingoè. Chegámos à tardinha. O Padre Leonel começa a acusar sintomas de malária.Escolinha

IMG 20170502 WA000130 de Abril, Domingo: Fingoè Depois da Missa, em procissão dirigimo-nos para a escolinha da paróquia para a sua bênção. O edifício é ainda precário e provisório mas a escolinha é uma realidade viva e com futuro. Iniciou no passado 1 de Março e é frequentada por 60 crianças. Padre Mweallongo com a ajuda de 2 monitoras conduz com sabedoria e boa vontade esta importante obra de promoção humana. À noite celebramos com as Irmãs Aida, Carlota, Otília e Francisca. Fingoè já tem uma comunidade de Irmãs. Desde o início deste ano as Irmãs Franciscanas Hospitaleiras do Imaculado Coração, presentes em diferentes dioceses de Moçambique desde 1918, decidiram iniciar a sua presença em Tete, e em Fingoè. O que parecia impossível, tornou-se uma feliz realidade em pouco tempo.

À tarde a paróquia enche-se de crianças e adolescentes para estudar, brincar e rezar. Padre Mwallongo dedica alma e coração à formação da juventude. Missa solene em Fingoè com a apresentação do novo pároco que preside à Eucaristia. Hoje padre Carlos celebra 50 anos de vida. Verifiquei um aumento do número de fiéis. A igreja começa a ser pequena para caberem todos.IMG 20170430 WA0007

1 de Maio, segunda-feira: Aprovação do Plano de Acção Pastoral

Feriado e dia do trabalhador, é aqui um dia como os outros. O Padre Leonel continua com malária, assistido pelo padre Carlos, bom enfermeiro. Uma retroescavadora continua o trabalho de nivelamento do tereno onde se edificará o lar paroquial para acolhimento dos alunos das aldeias mais distantes que frequentam a escola secundária de Fingoè. À noite, com a comunidade cristã, iniciamos o mês de Maria.

2 de Maio, terça-feira: Reunião comunitária e programação pastoral

Dedicamos o último dia na nossa visita à realização do encontro comunitário. Programam-se os próximos meses e verificam-se as actividades a realizar, na pastoral – conselhos paroquiais, catequistado de Uncanha, animação vocacional, movimento dos leigos da Consolta – e nos trabalhos de construção – Lar masculino, residência missionária e outras construções em curso.
FingoéÀ tarde, reunião dos padres com as irmãs. Tratou-se da primeira reunião da nova equipa missionária. As irmãs Franciscanas Hospitaleiras manifestaram a sua disponibilidade em colaborar activamente na pastoral em Fingoè e nas outras duas missões. Além do trabalho pastoral, insistiu-se na necessidade de haver encontros de oração, reflexão e convívio.

3 de Maio, quarta-feira: Viagem para Tete

Acompanhado pelos padres Franco e Carlos, viajo para Tete, fraternamente recebidos por Dom Inácio. Enquanto eles aproveitam o tempo para fazer compras e fazer a manutenção do carro, preparo esta crónica. À noite celebramos a Eucaristia recordando o 5º aniversário da morte do padre Valentim Camale e rezamos pela sua alma.

P.Diamantino Antunes

Actualizado em Sábado, 06 Maio 2017 19:14
 
Carta aos Missionários da Consolata Sobre processo dos Mártires do Guiúa
Sexta, 10 Março 2017 09:49

ConsolataAssunto: Abertura do Processo Canonização dos Servos de Deus Luísa Mafu e Companheiros, Mártires de Guiúa Caríssimos Confrades

1 - No próximo dia 25 de Março, por ocasião da celebração do 25º aniversário do massacre do Guiúa (1992-2017) terá lugar a abertura oficial do Processo da Causa de Canonização de Luisa Mafu e Companheiros, Mártires de Guiúa.

Neste processo estão implicadas todas as instâncias da Diocese de Inhambane desde logo, o seu Bispo, passando pelos sacerdotes diocesanos, congregações religiosas, as paróquias e as comunidades cristãs. Todos estão implicados neste processo, ele é de todos e para todos.

O envolvimento dos Missionários da Consolata

2 - O primeiro acto formal de preparação para o Processo da Causa dos Mártires do Guiúa foi a nomeação do Postulador da Causa. O Bispo de Inhambane, D. Adriano Langa, depois de ter pedido a autorização aos nossos superiores maiores, no dia 23 de Março de 2014, nomeou-me para o cargo de Postulador da Causa. O Postulador tem a responsabilidade de coordenar e animar o processo que leva ao reconhecimento das virtudes heroicas ou martírio dos candidatos a santos.

Segundo carta escrita pelo Bispo de Inhambane, diriida ao nosso Superior Geral, a motivação que o levou a nomear um Misionário da Consolata postulador da causa de beatificação dos Mártires do Guiúa reside no seguinte facto: os Missionários da Consolata, desde o início estão ligados aos Mártires do Guiúa. De facto, foram os Missionários da Consolata os co-fundadores do Centro Catequético do Guiúa (1972), os Missionários da Consolata que foram testemunhas do massacre (Padres André Brevi, Luís Ferraz e John Peter Njoroge). Nestes anos, foram sobretudo os Missionários da Consolata que deram a conhecer à Igreja este evento (foi notável o trabalho realizado pelo P. Francisco Lerma enquanto director do Centro do Guiúa).

De Janeiro a Abril de 2015, frequentei em Roma um curso de formação para postuladores, organizado pela Congregação da Causa dos Santos, com o objectivo de conhecer a legislação e o processo de uma causa de canonização. Em Junho de 2015, D. Adriano Langa, nomeou vice-postulador da causa o P. Sandro Faedi. Circular nº 1/17 Maputo, 6 de Março de 2017

O que foi feito até ao momento?

3 - O Bispo de Inhambane, depois de nomear o Postulador (2014), e de este ter preparado a documentação necessária (biografia dos Servos de Deus, elenco das testemunhas, e a petição para a introdução da Causa); pediu o parecer dos Bispos de Moçambique sobre a oportunidade de iniciar a causa de canonização dos Catequistas Mártires de Guiúa. Os Bispos da CEM deram um parecer favorável (Novembro 2015).

Em seguida, D. Adriano Langa pediu à Santa Sé o Nihil Obstat (uma declaração em que se diz que não existe nada contrário ao início da Causa) para a abertura efetiva do processo, após haver comprovado que a fama de martírio é sólida e baseada em fundamento real, está difundida e não foi provocada artificialmente. Feito isso, a Diocese de Inhambane recebeu o Nihil Obstat da Congregação da Causa dos Santos para iniciar e instruir o processo (Outubro 2016).

Entretanto, a Postulação contactou e identificou todas as pessoas que estão dispostas a dar o seu testemunho sobre os catequistas mártires e foi recolhida toda a documentação escrita sobre o martírio e os mártires (Janeiro-Fevereiro 2017) Quais são os passos seguintes no processo de canonização para reconhecer o Martírio de Luisa Mafu e Companheiros ?

4 - O próximo passo a dar é a realização do processo de canonização. Este processo tem duas fases distintas: a fase diocesana (o trabalho será feito em Moçambique) e a fase romana (o trabalho será feito em Roma-Vaticano).

a) Fase Diocesana

5 - Na fase diocesana do processo de canonização, que iniciaremos no próximo dia 25 de Março, o mais importante é o Inquérito: Interrogam-se as pessoas que conheceram directamente os catequistas (familiares, amigos, vizinhos) durante a sua vida e aquelas pessoas que foram testemunhas da sua morte de modo que se recolham todas as provas necessárias para o Papa poder declarar a sua santidade e martírio. Para esse efeito, uma comissão terá a tarefa de redigir as perguntas, presidir ao interrogatório de cada uma das testemunhas que forem convocadas e transcrever tudo o que for dito. Esta comissão de inquérito já foi nomeada e é constituida pelos seguintes padres que trabalham na Diocese de Inhambane: Guilherme Costa, Jeremias Moisés, Amaral Bernardo e Anastancio Gemo. A comissão tomará posse no dia 25 de Março, durante a sessão de abertura do processo da causa.

Para se ser mártir no sentido cristão não é suficiente ter derramado o sangue, é necessário que tenha sido morto por ódio à fé e que tenha aceite a morte com o espírito de fé. Por isso, a comissão de inquérito terá que interrogar as testemunhas do massacre dos catequistas para provar que verdadeiramente foram mortos por ódio à fé e que aceitaram morrer por Cristo.

Terminada a recolha de todos os testemunhos, a Postulador deverá preparar um dossier bem documentado sobre a vida e o martírio dos catequistas o qual será enviado pelo bispo diocesano à Congregação da Causa dos Santos, em Roma, onde se estabelece a validade do processo, ou seja, a constatação de que nada falta para o seu prosseguimento.

b) Fase Romana

6 – Após o exposto, tem início a segunda fase do processo, a chamada fase romana do processo de canonização. Toda a documentação e provas (escritas e orais) que recolheremos passará por um exame sério de consultores históricos e teológicos, nomeados pela Congregação da Causa dos Santos, que vão dar um parecer e um voto sobre o mérito da causa. Este parecer definitivo será em seguida submetido ao juízo de uma comissão de Cardeais e Bispos. Se esta comissão der voto positivo, o Santo Padre, em seguida, promulga o decreto de martírio e declarará os catequistas mártires do Guiúa Bem-Aventurados, dignos de culto liturgico e público.

Quanto tempo levará o processo de canonização dos Martires de Guiúa?

7 - Cada caso é um caso. Cada processo tem suas peculiaridades e, por isso, não podemos afirmar com precisão quanto tempo vai demorar. A Santa Sé não facilita no reconhecimento da santidade, mas olha com muito carinho para a Igreja em África. Para se chegar à canonização dos catequistas mártires do Guiúa há um longo e trabalhoso caminho. É esse caminho que estamos agora a iniciar percorrer. Pode demorar poucos anos se trabalharmos bem e colaborarmos com a nossa oração e a nossa ajuda.

O que é pedido a nós e às nossas comunidades?

8 - A parte canónico-jurídica desta Causa tem os seus caminhos e teremos de os seguir sob a orientação da Igreja. Há todavia um caminho que é de todos e sem o qual o processo ficaria debilitado na base: a Fé no martírio, entendido como testemunho dado pelo derramamento do sangue numa oferta da vida ao Senhor. È necessário continuar a animar os cristãos para um espírito de oração fervorosa a Deus por meio de Jesus Cristo, pedindo que nos mostre a Sua vontade para a realização deste objectivo que visa glorificar a Deus nos Seus Santos.

P. Diamantino Antunes, IMC

Superior Regional

Actualizado em Sexta, 10 Março 2017 10:00
 
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