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Uma Casa nova para a Elina

IMG 20181123 161734Uma casa para acolher quem acolhe

Na missão de Santa Isabel de Guiúa trabalha a Elina. A Elina é cozinheira da casa dos padres e também presta apoio ao Centro de Promoção Humana, na cozinha e na limpeza das casas. Mas a Elina é muito mais do que isso.
Na família, é um pilar. Em sua casa acolhe todos. Sem marido, toma conta de 3 filhos, o irmão, a cunhada e dois sobrinhos. Mas há outros ainda que se acolhem na sombra generosa do seu terreiro. Outros sobrinhos, a irmã e a mãe passam com ela temporadas. A Elina todos sustenta. Nunca lhe ouvimos uma queixa.É uma mulher trabalhadora, séria, responsável, alegre e amiga. É das primeiras a chegar à missão e das últimas a sair. Quando há um imprevisto e alguém tem de assegurar o trabalho é com a Elina que se conta. Nela encontramos sempre a disponibilidade para o trabalho e uma alegria quase desconcertantes, como que a dar-nos força quando também nós já estamos cansados.
Antes da casa nova vivia numa casa simples feita com paus e folhas de coqueiro. Quando os hóspedes aumentavam, e prolongavam a estadia por largos meses, lá se improvisava nova barraca e lá se iam encaixando todos.
Á medida que o tempo foi passando, foi aumentando a admiração por ela e o reconhecimento pela dedicação, amizade, seriedade e alegria contagiantes. Um dia, alguém lhe sugeriu que fosse tentando melhorar a sua casa e que começasse a comprar de sacos de cimento na medida das suas possibilidades.
Assim fez. Quando conseguia juntar algum dinheiro, lá comprava alguns sacos de cimento. Armazenou-os na missão, durante mais de três anos, até conseguir o necessário para dar início ao fabrico de blocos de cimento. Aos poucos conseguiu começar a obra. A sua persistência e sacrifício não passaram desapercebidas a alguns amigos da missão. Um ou outro saco de cimento apareceu oferecido por quem não ficou indiferente à dedicação e ao espírito de serviço desta mulher.
Depois de muitos sacrifícios e alguma generosidade a casa lá acabou por se erguer, com os acabamentos a denunciar a exiguidade do orçamento. Em Fevereiro de 2017, a província de Inhambane foi assolada pelo ciclone Dineo. A fúria do vento arrancou o telhado à casa nova da Elina e revelou as fragilidades da construção. Não se lhe ouviu uma queixa, ou um pedido e a sua vida continuou com a alegria de sempre entre a missão, a sua palhota e a casa semi-destruida.IMG 20181116 165309

Iniciamos então uma campanha para ajudar. Vários amigos responderam ao desafio e a missão assegurou-se de que o trabalho era feito e bem feito. Neste mês de Novembro, oferecemos-lhe a pintura da casa, acabamento de que muitos desistem, depois de tantos esforços financeiros. Uns amigos, de visita à missão, não resistiram e resolveram juntar-se ao projecto. Tinham planeado ir ao Bazaruto mas trocaram o tempo e a verba que gastariam, por tintas e trabalho. Contrataram um pintor e desafiaram para trabalhar com eles os filhos e sobrinhos da Elina. Numa semana concluíram a obra.

Hoje a Elina tem uma casa nova onde continua acolher toda a gente. Na missão a sua dedicação é a mesma de sempre e o seu exemplo e o seu sorriso uma dádiva que todas as manhãs recebemos.