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Superiores dos Missionários da Consolata de África reunidos na Etiópia

IMG 20180914 WA0000Reunião do Conselho Continental de África

Este órgão de comunhão e partilha dos Missionários da Consolata em África  é formado pelos superiores de cada país.

Reúne-se duas vezes por ano para promover um caminho comum de reflexão, pesquisa e discernimento. O Conselho esteve reunido na Etiópia de 10 a 18 de Setembro. Estiveram presentes os superiores da Consolata de África: Quénia, Tanzânia, Moçambique, África do Sul, Congo, Costa do Marfim e Etiópia. Representou Moçambique e Angola o Superior Regional dos Missionários da Consolata, Padre Diamantino Guapo Antunes.

Os primeiros dias foram dedicados à visita à Missão e ao Hospital dos Missionários da Consolata em Gambo e os restantes a encontros de avaliação e programação em Addis Abbeba, capital da Etiópia.

Uma programação pastoral conjunta a nível continental
Ppartilharam-se as principais iniciativas e actividades programadas para o sexénio 2018-2023. Em seguida, trabalharam na programação continental a nível das 5 comissões continentais existentes: Formação de base (seminários), Formação Permanente (missionários), Missão Ad Gentes (evangelização), Animação Missionária e Promoção Vocacional e Economia.
Perspectivou-se também a  nova abertura continental em Madagáscar, na diocese de Ambanja, situada no norte da ilha, onde chegará o primeiro grupo de Missionários em Janeiro de 2019. . Com uma superfície de 34.083 km2, a nova  diocese é povoada por uma população de 1.471.000 habitantes, dos quais 142.112 são católicos (10% da população).

 

 

A Etiópia, um país à procura de um justo equilíbrioIMG 20180920 WA0004
É a mais antiga nação africana com mais de 2.000 anos de história. Com uma superfície de 1.104.300 km2 e uma população de 105 milhões de habitantes, a Etiópia é por tudo isto uma das principais nações africanas. Na capital. Addis Abbeba, tem sede também a União Africana, organismo pan-africano, que tem a sua origem em 1963, e que conta actualmente com 55 estados membros.
Depois de séculos de monarquia, hoje a Etiópia é uma República Federal Democrática cujas províncias foram desenhadas sobre base étnica, reforçando a identidade local em vez da nacional. Por isso, a Etiópia é um país que procura o equilíbrio entre o fortalecimento do estado unitário e a satisfação das exigências regionalistas dos seus povos.
IMG 20180919 WA0001A Etiópia viveu no início deste ano a maior crise política desde o derrube do regime comunista de Menghistu em 1991. No dia 15 de Fevereiro o primeiro-ministro Hailemarian Desalegn demitiu-se devido às constantes manifestações anti-governamentais, reprimidas de modo violento e que provocaram a morte de centenas de pessoas e a detenção de milhares de opositores políticos. Os protestos da maioria étnica Oromo (35% da população, residentes na parte sul do país, e descriminados durante séculos), que exige direitos e autonomia política, fizeram emergir leaders locais que recusam o predomínio da componente Trigina (apenas 6% da população) na coligação da maioria que governa o país em detrimento do Oromo.
A recente eleição do novo primeiro ministro, Abiy Ahmed, de etnia Oromo, que procura por em prática medidas sócio-económicas que respondam às exigências da maioria Oromo e que estão a dar aparentes resultados. IMG 20180911 WA0007

Missionários da Consolata pensados para a missão na Etiópia
A Etiópia é também o território africano no qual o Fundador dos Missionários da Consolata, o Beato José Allamano, queria iniciar a obra missionária do Instituto que fundou. Os condicionalismos históricos obrigaram a mudar o destino de seus missionários para o Quénia, em 1902. O Allamano nunca desistiu da Etiópia. Em 1913, a Santa Sé confiou ao Instituto o Vicariato de Galla, no sul da Etiópia, aos Missionários da Consolata. Em 1916 chegou o primeiro missionário da Consolata a Addis Abbeba. Até 1941, ano da expulsão da Etiópia, os missionários da Consoata fundaram diversas missões no sudoeste da Etiópia e realizaram uma admirável obra de educação e promoção humana. Em 1970 os Missionários da Consolata voltaram humildemente para a Etiópia, na pessoa do padre João De Marchi, fundador da Consolata em Portugal, assumindo o cura espiritual de algumas missões no Vicariato de Meki, entre estas a missão e hospital de Gambo.

IMG 20180913 WA0005Gambo uma missão onde o bem existe
A Missão de Gambo, antes de ser o que é hoje, era um leprosário. Nesta estrutura, milhares de leprosos da região sul da Etiópia eram curados e viviam numa aldeia, num completo isolamento. Em 1987 o Centro de Saúde para o tratamento da lepra é ampliado e começa a funcionar o Hospital Distrital de Gambo que actualmente tem capacidade para 140 camas, sendo uma estrutura sanitária de referência na Província do Western Arsi, na Região da Oromia. No hospital de Gambo funcionam os departamentos de maternidade, pediatria, cirurgia, ortopedia, laboratório, farmácia e o internamento para doentes de lepra, tuberculose e HIV/SIDA. O hospital serve uma população de 435.000 pessoas e atende anualmente, com muito profissionalismo e humanidade, uma média de 25.000 doentes. Trata-se de um dos centros selecionados pelo Ministério da Saúde etíope que participa de todos os programas de saúde, dentre esses programas o controle da tuberculose e da lepra, a prevenção e diagnóstico da AIDS, tratamento para desnutrição, vacinas infantis e gravidez. È em Gambo que em 2016 faleceu e foi sepultado o missionário da Consolata português, padre Carlos Domingos.